O Vínculo dos Inconsolados
Se vai ou se não vai, não se entende e não se sabe.
O que era justificável, já não tem explicação.
O que sobra é sempre dúvida ou apenas negação.
Cada luta é impotência que nunca se faz surda.
A crueldade dos fatos, um fardo reconhecido.
O relógio parece que vira do avesso
E o tempo vigora sem deixar vestígios.
Se o que vejo é puramente campo minado,
O que não vejo é muitíssimo pesado.
Amor não consumado e almas que permanecem perdidas.
Mas se no brilho da dor, encontro dentro em mim esse Amor
Os desejos da alma e os desejos da carne, ardentes e sedentos,
São o sopro contínuo de Eros e Afrodite no mar da inconsolação.
Pois sim, diz-se que é certo desconsolação,
Mas por insistência poética, os deuses chamam-ma inconsolação,
Tamanho o desconsolo dessa desconsolação
Que até para se desconsolar precisa no modo arcaico estar.
Ah, pobres de nós!
Um despeja o outro no cemitério dos esquecidos
E cada vez que se tenta manobrar pela vida
No correio dos sonhos lá se carimba chamados de agonia.
Talvez a única verdade realmente dita seja a que nunca é realmente dita.
E que vira cordão fino não requisitado perdurando mais do que deveria.

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