Diário de um Inferno - Quando a Fé Sustenta Todo o Pesar

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DIÁRIO DE UM INFERNO

Quando a Fé Sustenta Todo o Pesar

Não posso dizer que tenho arrependimentos, porque cada decisão tomada é sempre muito bem avaliada e refletida. Mesmo assim, não vou forçar a barra e dizer que não existe uma enorme penalização, porque ela está sempre lá.

Mas, é bom demais que na autoanálise eu perceba que a todo instante procuro lembrar que independente disso, eu me esforçar para que ao menos essa penalização nunca se trate daquilo o que não deu certo em minha vida.

Porque convenhamos, se não deu certo –  de duas uma: ou porque não se caminhou do jeito certo ou porque não tinha que dar certo mesmo. 

Eu acredito muito em livramento e apesar de a revolta e o modo depressivo comer solto vez ou outra, o que é super normal, afinal de contas somos seres humanos vivendo num mundo totalmente sem sentido e doido, ainda assim procuro tentar alimentar o "olhai e vigiai" muito mais do que os sentimentos de raiva e ou de possível ingratidão. 

Acho que a gente precisa ter muita certeza de quem queremos ser e aí agirmos com responsabilidade sobre isso, porque é realmente algo muito importante. 

Tem certas escolhas que aprisionam para o resto da vida, e se não aprisionam nos fazem sofrer o inferno na terra por anos longos demais para conseguirmos ter esperança de que vamos nos reerguer.

Mesmo buscando a luz interna no anoitecer da alma, procuro me perdoar por não conseguir evitar sentir aquela exaustão que faz ajoelhar mesmo e acreditar que ter qualquer esperança é algo totalmente vão. 

Em momentos de tristezas profundas ou situações de traumas intensos demais, a gente só tem vontade de ficar parado um pouco se deixando levar pela correnteza, meio sem destino e sem também querer saber como voltar. 

Uma certeza ilusória, no fundo da alma, nos dizendo que não há lugar em lugar algum para nós. 

Como se fôssemos eternos passageiros e em todos os cantos só deixamos mais e mais pedaços de nós.

Negativa após negativa, a alma se dilacerando sempre um pouco mais, e nas piores horas do dia as costas parecem carregar uma tonelada imensurável para se amparar. 

E assim, ali, naquele cimento em prévias já preparado, nos deixamos a derramar.

Derramar-nos no altar da vida, esse sangue coagulado que outrora parado, agora aparece na pele jorrando em borbulhas pelo pedestal das lamúrias e do que não se pode proferir, muito menos suportar – um infinito de impossibilidades que só nos restam num enorme resignar.

São horas em que o coração sangra,  o corpo muito pesa e a mente padece.

Horas em que a gente permanece agarrado na miséria, por falta de forças para continuar, e assim, no absoluto inferno do cotidiano, aonde só transbordamos em ar rarefeito, queremos por apenas um dia acreditar que existe uma alma para nos salvar quando já esgotamos todas as tentativas – pelos longos anos que nunca e jamais voltarão.

Então, de repente, algo dentro de nós segura aquela linha tênue que sempre nos sustenta e seguramos tão firme esse fio transparente, tão firme, que num instante o choro todo cessa e as lágrimas mais rápido nos secam no rosto do que a velocidade do próximo abismo em pensamento. 

E aí o peso vai sumindo....
Sumin...

Até que fica bem distante da gente, como se fosse um avião barulhento que passou e agora já se foi. 

O que sobra é a dor nos músculos e mais um dia riscado no diário do sonhos que se tornou o próprio inferno, além da sutil esperança que vem com a força que a gente não calcula que nesse momento claramente virá.


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