A Solidão é Presença

A-solidão-de-ser-Eva-e-Lilith


| A Solidão de Ser Eva e Lilith |


Esse escrito tensiona e intenciona, porque chove lá fora e talvez até aqui dentro.

É um banquete ofertado como presente desinteressado – uma dessas coisas incompreendidas ditas sem querer mesmo se fazer entender, porém, tão completo em sua amarga oferta. 

Um vinho degustado bastante azedo e uma cesta pomposa de esperança vaga que se deixa a cada dia um pouco mais ficar .

É o recuo destemido do mar e notas de Cello oferecidas ao vento, 

Esvaídas e esmigalhadas na ampulheta esgotada das presenças. 

O desfoque na multidão, velocímetro quase parando, relógio parcialmente quebrado. 

É a passagem dos ciclos nas rubras rosas de um jardim abandonado e a presença de si amortalhada no cemitério de todas as dores – um silêncio que ecoa sem fim.

Um opaco luar congestionado no céu noturno nublado.

Uma infinitude para almas eternamente incompreendidas.

É o buraco negro do espaço e que impera até demais nos corações,

O vazio das ausências e a fome descontrolada daquilo o que sacia.

É a faca que rasga o peito e deixa a ferida sanguinolenta pingando vida em jarro de vidro.

O som que ninguém escuta por mais limpa que esteja a música.

É Eva esculpida com a costela de adão nos barros mais profundos da alma

E Lilith no mundo, completamente desnuda.

Ela é presença 

De vida e de morte – ao mesmo tempo no mesmo espaço.

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#NowPlaying: Dying Memories - Cello | Undead Minstrel


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