Diário dos Sonhos - Um Pesadelo Real Demais

Imagem: Pinterest

UM PESADELO REAL DEMAIS


Essa noite eu tive um sonho muito estranho, mexeu bastante comigo e para ser bem sincera, foi mais de um. Acordei me sentindo mal e cheia daqueles arrepios típicos dos receios que sentimos e a sensação realmente foi muito ruim, como se fosse um aviso sobre algo ou uma premonição mesmo. Mas eu vi tudo claramente, com riqueza de detalhes, exceto coisas que não estavam no foco da visão no sonho.  

Ao longo do dia, fiquei repensando e repensando esse sonho, e tive a impressão de que não era exatamente o que me pareceu na hora. Comecei a ver, na verdade, toda uma simbologia muito forte naquele sonho tão impactante, e claro, dentro daquilo o que eu intuo como possível mensagem e não como um estudo sobre a simbologia real dos elementos. E o mais doido, é que esse sonho, agora que começo a escrever sobre, me fez lembrar de um outro que tive uns dias atrás, também de mesma intensidade, e que vou descrever mais a frente também.

Lembrando que estamos na Quaresma, e, segundo a Espiritualidade, é uma época muito complicada – principalmente para as pessoas mais sensíveis espiritualmente – e  como eu já sei que esse é precisamente o meu caso, deixo sempre uma nota mental para não levar tudo tão a ferro e fogo, mas também não ser totalmente alheia as coisas. 

Para ser sincera, eu fiz questão de me proteger nesse período, e esses sonhos aconteceram exatamente nessa época mesmo assim. Mas este primeiro que vou  descrever também me traz essa mensagem de proteção completamente ativa, e faz todo o sentido, então além da minha fé eu fico muito mais tranquila – mesmo sem saber exatamente se o sonho que tive é algo real, de fato. 

Mas enfim, vamos ao que interessa.

Vou descrever abaixo, com a mesma riqueza de detalhes o que eu vi nesse último sonho.

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Não posso dizer com precisão se esse sonho teve um começo, e geralmente a gente não costuma perceber esses inícios de sonho, porque foi mais como uma coisa que começa do nada a partir do momento da lembrança. Mas, basicamente, o sonho se passava em primeira pessoa, e eu estava dentro de um prédio que eu acho que estava sendo inaugurado, não sei bem, só sei que era uma construção nova e tinha muitas pessoas lá. Não é como se estivesse acontecendo alguma festa ou algo parecido, eu não sei bem o que significava aquilo, mas tinha muitas pessoas espalhadas. 

Eu não via o rosto de ninguém, só me lembro de ver as costas de todos no lugar e estavam todos virados para a mesma direção. Lembro que perto de mim tinham duas pessoas, dois amigos acho, não sei dizer bem porque não senti um super vínculo com essas pessoas, mas ao mesmo tempo pareciam próximas, não sei bem explicar porque não pareceu nada muito intenso ao mesmo tempo. Eu não via a imagem dessas duas pessoas também, só tenho uma impressão delas meio superficial e quase inexistente, de qualquer forma eu tive a certeza de que nunca vi essas pessoas antes e não sei quem são, de fato. 

Fiquei com uma impressão de que uma dessas pessoas tinha cabelo bem cacheado, do tipo macarrão parafuso mesmo. A cor era um loiro acobreado ou cor de mel, era comprido quase na cintura e preso por um rabo de cavalo. Parecia jovem, não muito jovem e nem totalmente mais velha, era um meio terno, eu daria uns 28 ou 29 anos, mas eu realmente não vi propriamente isso. Acordei tendo a sensação de que foi isso o que eu consegui ver dessa pessoa, mas não vi rosto nem nada, foi tudo muito rápido e numa situação que ficará melhor compreendida mais à frente.

Voltando um pouco para a situação. 

Em certo momento, eu senti o chão ceder um pouco e tomei um susto ficando totalmente alerta ao que senti naquele momento. Eu percebi que ninguém tinha dado muita atenção, mesmo tendo percebido uma leve alteração, foi então que o chão deu uma nova cedida e acho que mais forte um pouco. Sei que percebi na hora a situação e falei para quem estava comigo que tínhamos que sair daquele local, porém era como se as pessoas estivessem paralisadas no medo. 

Um enorme alvoroço no local, e todo mundo começou a rumar para uma direção oposta do prédio, aí entra a descrição que fiz logo acima sobre eu ver apenas as costas das pessoas. O que diziam era que precisavam ir para o lado oposto do prédio, em razão do peso e de ser a "última parte" a cair, algo assim, pois o prédio parecia tombando para o lado e não exatamente cedendo inteiro de uma vez. Eu lembro de achar isso um absurdo, porque a saída estava muito próxima e as pessoas simplesmente estavam optando por ficarem dentro do prédio se escondendo ou algo do tipo. 

Também lembro que a sensação era de tensão extrema, uma ansiedade implodida que não vazava e eu nem sei como. Acho que eram todos os sentidos de sobrevivência aguçados naquele instante, eu só conseguia raciocinar e não parecia me permitir sentir nada, mesmo embora parecesse muito natural aquele não sentir.

E eu não lembro se eu comentei isso em sonho, só sei que o alvoroço estava instaurado e todo mundo estava seguindo para a mesma direção. Como uma das pessoas que estava comigo não me deu ouvidos e foi na mesma direção dos outros e a outra que estava comigo parecia vacilar totalmente incerta do que fazer, eu tomei a decisão de pegar o pulso dela e puxar ela para a saída correndo, depois de dizer que a gente tinha que sair imediatamente dali. Ela se deixou levar, mas eu realmente não vi ela depois que tudo aconteceu, porque eu sei que saí daquele prédio e num instante eu estava de um outro lado da margem. Não lembro de ter visto aquele local antes, parecia que o prédio tinha sido construído num imenso buraco vendo de longe, uma área muito estranha. Não percebi nada ao redor além de areia na cor que geralmente encontramos na praia, mas não era areia de praia ainda assim, e eu estava do outro lado dessa margem, literalmente com um mar de distância entre mim e o prédio ruindo.

Quando cheguei nessa margem, tinha algumas pessoas comigo, umas poucas, tipo umas dez no máximo, mas eu não via absolutamente ninguém. Eu olhava o prédio de longe, ele era bege e tinha uns 5 ou 6 andares, mais ou menos, e tinha duas partes, digamos assim. Também tinha sacadas de tamanho médio e janelas bem típicas de modelos antigos de prédios que hoje usamos mais como janelinhas de banheiro, porém não eram basculantes. Pareciam pequenas janelas daquelas típicas da arquitetura que encontramos principalmente na cidade de Blumenau em  Santa Catarina.

Uma dessas partes do prédio parecia tombada já e tinha ficado, então, mais duas estruturas. Lembro de ver duas pessoas na sacada de uma dessas partes, era a última sacada e era uma mulher de cabelos pretos, cheios e compridos. Ela estava na sacada com os cotovelos apoiados no parapeito vendo toda a destruição, e a outra pessoa acho que tinha cabelo curtinho, uma idosa talvez? Não sei realmente. 

Foi uma cena horrível, pois as estruturas que faltavam cair, de repente tombaram para trás com tudo e eu vi aquelas duas pessoas ao longe tombando juntamente com tudo aquilo. Elas pareciam pequenas da minha vista, mas não como formigas e eu tinha a sensação de estar muito longe daquela situação toda, mas muito próxima ao mesmo tempo. 

Horrível ver o prédio inteiro desabando e com aquelas pessoas todas lá ainda. 

O final dessa cena foi ainda mais chocante, mas meio sem sentido, porque eu via o topo do prédio, apenas com umas poucas janelas fechadas aparecendo, totalmente afundada no mar a minha frente e um amontado de areia preta num canto qualquer depois do mar. 

Depois do profundo choque, e da adrenalina suponho, eu me vi de costas para aquilo tudo e pegando com muita força, agradecimento e fé uma guia de Exú que sempre anda comigo e agradecendo demais por não ter acontecido nada comigo. Eu estava tão em fervorosa agradecendo e apertando aquela guia, lembro de colocar ela no pescoço, e do nada comecei a ouvir ao lado – enquanto eu continuava agradecendo – e não sei se eu chorava nesse momento, tenho a impressão de que sim mas não lembro muito bem, um homem agradecendo também, porém a Ogum. Ele agradecia muito, como eu, ao Pai Ogum, e quando eu ouvi isso me virei para olhar para a figura, inclusive lembro de que foi por isso que eu meio que percebi que eu não estava sozinha.

Eu olhei essa pessoa, era um homem, parecia de uns 50 e poucos anos e era magro mas um magro normal mesmo de pessoas mais velhas. Ele parecia sentado numa cadeira, mas eu não via a cadeira. Eu tive a impressão de que ele tinha roupas simples, tenho uma lembrança de ser uma camisa branca com apenas um bolso no lado esquerdo, mas não tenho certeza totalmente. Esse homem tinha cabelo simples, normal mesmo, bem preto e ele me olhava de canto de olho. Eu vi com muito detalhe o rosto dele, parecia muito muito uma mistura de Mister Bean com aquele ator brasileiro que fez o personagem de "Tolerância Zero" - Francisco Milani - mas era outra pessoa, bem diferente mesmo. Acho que ele tinha uma pinta no rosto, perto da boca, mas não lembro direito, sinceramente. 

Eu fiquei muito impressionada com a imagem, só que fiquei mais impressionada ainda com o olhar daquela pessoa. Ele estava muito calmo, parecia só me observar, era muitíssimo sério e eu não consegui definir que tipo de olhar era aquele. Porém, eu me senti super intimidada e ao mesmo tempo acho que um profundo respeito. O olhar dele parecia o de alguém que observava mesmo, alguém que sabia muito mais do que eu poderia saber e ele estava imóvel e muito calmo só me olhando. 

Era um olhar sério, extremamente incisivo, de modo que eu não consegui definir se era algum julgamento ou só um observar de quem sabe demais mesmo, só sei que fiquei conjecturando o que significava aquele olhar, mesmo depois quando acordei e não parei de pensar na imagem amigável desse homem que eu nunca vi na vida, por sinal. 

Pareceu um olhar tão familiar ao mesmo tempo, lembrei do meu pai em certo momento, quando estava muito chateado a ponto de ficar meio bravo mas que a gente só enxerga isso no olhar mesmo. Um olhar incisivo, duro mas cheio de polidez e pacificidade ao mesmo tempo. 

Foi super bizarro, eu ainda não sei direito o que pensar.


MINHAS SIGNIFICAÇÕES


Pode ter sido só um sonho, ainda mais nessa época, mas depois de ficar remoendo ele eu achei que era muito simbólico para ser somente um sonho, mas mesmo assim fiz questão de deixar como nota mental duas possibilidades – just in case.

Penso que pode ter sido um aviso mesmo, algo como uma forma simbólica da Espiritualidade me mostrar que alguma coisa estava em andamento, em curso, e que não necessariamente seria algo ruim para mim, porém me afetaria de algum modo.

Talvez seja coisa da minha cabeça, mas talvez eu tenha visto que a casa caiu para algumas pessoas, e não necessariamente tenha caído para mim. Até considerando que no sonho eu saí "ilesa" de toda aquela situação. E esse "ilesa" é bem relativo, porque muitas vezes não tem como a gente sair totalmente intacto de algumas situações em nossas vidas, especialmente se elas são muito complicadas e difíceis de lidar ou resolver,  o que é perfeitamente normal na vida como conhecemos.

Conjecturando aqui. 

As pessoas que não me ouviram ou não quiseram me ouvir em certas situações podem muito bem estar passando alguma complicação nesse momento, assim como muitas verdades podem ter vindo a tona causando uma grande perda, sofrimento ou realização no sentido de a ficha cair finalmente. 

O prédio é uma casa e uma casa é algo que nos traz um sentimento de segurança, ignorando a relatividade disso, claro. A casa também nos traz conforto e proteção de algum modo. Ver tudo isso em um imenso buraco, com um amontado de areia num canto, como se realmente fosse uma cova ou algo enterrado, e isso aliado ao topo do prédio afundando no mar denso e imenso, reforça esse significado de algo que desmoronou para se reconstruir ou para ter um fim de uma vez por todas.

Assim, o olhar daquele homem em meu sonho pode ter relação justamente com isso. Não que seja um tipo de julgamento propriamente dito, mas apenas alguém que sabe infinitamente mais do que eu e que me observa, com certo distanciamento, para ver o que farei com tudo isso, como irei agir, qual caminho seguirei dali em diante agora que as coisas parecem ter desandado, no bom sentido.

Não que isso seja necessariamente algo ruim, só alguém que vê o que eu não vejo e observa minhas as escolhas depois de tanta bagunça. Porque talvez agora, finalmente, poderei fazer escolhas e elas serão inteiramente minhas.

E tudo isso não deixa de ser libertação também, não é?

Eu não desabei com o prédio, não morri com e nem como as outras pessoas e não me afoguei num mar de tragédias e tristezas.

E se realmente a casa que caiu foi mesmo é para mim, eu continuarei seguindo em frente. 

Seguirei de pé, assumindo as consequências dos meus erros e/ou das minhas falhas tanto quanto me seja possível, ajoelhando somente para a fé no meu coração, buscando sempre melhorar e evoluir, corrigindo o que preciso e fazendo aquilo o que é necessário se assim me for permitido - para viver uma vida feliz e mais plena.

Afinal, todos nós precisamos aprender e pagar por aquilo o que fazemos e somos para nós mesmos, para o mundo e para os outros. 

Nada passa despercebido, mas é a gente que escolhe o que fazer com o que nos acontece e isso é muito particular sempre.

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CONCLUINDO


Acabei não contando o outro sonho, mas deixa para outra vez, deu de escrever por hoje. 

Escrever também exige muito do meu mental e do meu espírito, porque sim, eu sou assim, intensa e profunda, e me jogo de corpo e alma às coisas que decido fazer. 

Enfim, fim.

Se foi ou não uma mensagem também, só cabe a mim decidir se será uma mensagem ou não. E mesmo que não seja nada espiritual, eu escolho imensamente confiar naquilo o que senti ser algo significativo. Escolho confiar na minha intuição, escolho acreditar que isso me trouxe uma visão mais ampla para me orientar, me curar, me permitir, escolher com segurança algumas coisas daqui por diante. Sem medo, porque o pior certamente já passou.

Em último caso, acredito que um sonho não deixa de ser uma ferramenta, assim como o Tarot, para nos ajudar a passar por momentos difíceis em nossas vidas – onde precisamos fazer escolhas e tomar decisões importantes, para nos ajudar a evoluir e trilhar nossa própria jornada. 

Se eu procurar manter a cabeça equilibrada na forma de pensar, de ver as coisas e ao senti-las, mal algum isso poderá causar.


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