In Vacuum

arrependimento-pós-balada

Turbilhão de Vento


No fundo eu já sabia do que se tratava, mas a primeira coisa que percebi foi a probabilidade de um pesadelo, já que acordei escondendo a boca com uma das mãos. 

Abruptamente, peguei o relógio e observei que tinha apenas meia hora para me arrumar e correr para o trabalho, nada muito anormal. 

Sentei na cama como se tivesse um peso absurdo nas costas, olhei para os meus chinelos em cima de um tapete encardido e senti vontade de sumir. Mesmo atrasada, tratei de tomar um banho relaxante, limpar o meu corpo de toda a sujeira do final de semana, toda a porquice alheia incrustada no meu ser. 

Mas estou tão presa aos fatos, às verdades, que faço as coisas e não me apercebo, e então, minutos depois me pergunto irritada aonde foi que eu coloquei os meus brincos e também a porra da chave da casa. 

Ao menos o tempo estava de acordo com o meu estado de espírito e isso acalentou um pouco as coisas internamente. Nublado e triste, me trouxe uma calma antiga e fez eu me sentir até melhor. 

Tentar sorrir deve ter algum crédito agora e enquanto me deixo possuir por estes pensamentos só o que me resta é ir tomando o velho cafézinho do arrependimento. 

Quanta imaturidade, inconsequência e maluquice de minha parte.

Mas, também nunca disse que eu era bem normal. Mesmo assim, tem momentos que é somente isso que eu gostaria de ser – um pouco mais normal.

As coisas seriam infinitamente mais fáceis.

Mas, me parece que não nasci para ter uma vida interna lá muito fácil, então só posso buscar encontrar algum entendimento nesse turbilhão de vento.

Permaneço um bom tempo ainda absorta em mim, na tentativa de me encontrar e quem sabe para nunca mais voltar.


Comentários

Blogs