Não posso dizer que tenho arrependimentos, porque cada decisão tomada é sempre muito bem avaliada e refletida, porém, não vou forçar a barra e dizer que não existe de certa forma uma enorme penalização.
Apesar disso, é muito bom que façamos sempre uma autoanálise para que possamos perceber que a todo instante, independente dessa penalização, não é saudável deixarmos que esse sentimento termine por se tratar daquilo o que não deu certo em nossas vidas.
Se não deu certo: ou não se caminhou do jeito certo, ou não era para dar certo mesmo.
Eu acredito muito em livramento e apesar de a revolta e a tristeza comer solta vez ou outra, o que é super normal, afinal de contas somos seres humanos vivendo num mundo totalmente sem sentido e doido, mas ainda assim, procuro alimentar o “olhai e vigiai” muito mais do que o sentimento de raiva ou mesmo o de uma possível ingratidão, e isso não é ser negacionista, mas ter uma certa elevação de espírito.
Penso que precisamos ter muita certeza sobre quem queremos ser, porque as nossas ações falam por si e é algo, realmente, que exige muita responsabilidade para se posicionar, porque tem certas escolhas que aprisionam para o resto da vida e se não aprisionam dessa forma, com certeza nos fazem sofrer o inferno na terra por anos longos demais para conseguirmos ter esperança de que vamos nos reerguer.
Mesmo enxergando a luz no anoitecer da alma, procuro me perdoar por não conseguir evitar o sentimento de exaustão que faz ajoelhar mesmo e acreditar que ter qualquer esperança é algo totalmente vão.
Em momentos de tristezas profundas ou situações de traumas intensos demais, a gente só tem vontade de ficar parado um pouco se deixando levar pela correnteza, meio sem destino e sem também querer saber como voltar. Uma certeza ilusória, bem no fundo, nos dizendo que não há lugar em lugar algum para nós.
Como se fôssemos eternos passageiros e em todos os cantos só deixássemos mais e mais pedaços de nós depois de negativas após negativas e a alma se dilacerando sempre um pouco mais, e nas piores horas do dia as costas parecem carregar uma tonelada imensurável de se amparar.
E assim, ali, naquele cimento em prévias já preparado, nos deixamos a derramar.
Derramar-nos no altar da vida, esse sangue coagulado que outrora parado, agora aparece na pele jorrando em borbulhas pelo pedestal das lamúrias e do que não se pode proferir, muito menos suportar – um infinito de impossibilidades que só nos restam num enorme resignar.
São horas em que o coração sangra, o corpo muito pesa e a mente padece.
Horas em que a gente permanece agarrado na miséria, por falta de forças para continuar, e assim, no absoluto inferno do cotidiano, transbordamos e ao mesmo tempo queremos por apenas um dia acreditar que existe uma alma para nos salvar quando já esgotamos todas as tentativas – pelos longos anos que nunca e jamais voltarão.
Então, de repente, algo dentro de nós segura aquela linha tênue que sempre nos sustenta e seguramos tão firme esse fio transparente, tão firme, que num instante o choro todo cessa e as lágrimas mais rápido nos secam no rosto do que a velocidade do próximo abismo em pensamento.
E aí o peso vai sumindo….Sumin…Su…S..
….
Até que fica bem distante da gente, como se fosse um avião barulhento que passou e agora já se foi e o que sobra é a dor nos músculos e mais um dia riscado no diário do sonhos que se tornou o próprio diário de um inferno, além da sutil esperança que vem com uma força que realmente não se calcula que virá.



